sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Podem parar o carrossel? Eu desço aqui ó fáxavor…

Semana 33 – faltam 7 semanas… 
(wtf?!?!?!)

Dizem os maratonistas e os corredores de longa distância que há um momento em que embatem no “muro”. O turbilhão físico e emocional para quem pratica este desporto pode ir desde pernas pesadas, fortes dores musculares, cansaço extremo e diminuição da capacidade de concentração, colocando em sério risco a realização da prova. Para quem não corre, como eu, podemos comparar isto com tudo o que nos acontece ao minuto 5 de cada intervenção do Presidente da República ou de qualquer membro do Governo…
Considerações políticas à parte, parece-me que haverá um momento semelhante nas gravidezes… Uma pessoa chega a dada altura e apercebe-se que deve ter andado a brincar este tempo todo. Eu pelo menos por mim falo! Antes de engravidar tinha todos os planos estabelecidos para garantir uma vida uterina saudável à criança: momentos culturais diversificados, exposição precoce à música clássica, aulas de yoga para gestantes, sessões fotográficas semanais que documentassem ao milímetro o crescimento da barriga… Enfim, olho para trás e apercebo-me que pouco mais fiz do que comer e dormir. E mesmo assim, esta última actividade cada vez pior, com dores nas costas, nas ancas e sonhos recorrentes em que há sempre alguém a dizer “é como se estivesse a fazer cócó”. (ah…as incontáveis bênçãos dos cursos de preparação para o parto…) No meio de todo esse regabofe que deve fazer de mim a grávida mais desnaturada que já pisou esta terra (nem uma foto no facebook, senhores…nem isso!!), diga-se em minha defesa que ainda vou a tempo de fazer uma barriga de gesso…
Mas se sentir o tempo escoar é assustador, o que vem para a frente ainda é pior. Eu não falo do quartinho que está por pintar, das vinte fraldas que ainda não bordei com o nome do petiz, do ovinho mais o berço mais a alcofa mais não-sei-o-quê que é preciso recolher em casa de uns amigos salvadores que já tiveram filhos … Isto tudo não é nada comparado com o que por aí vem! Eu falo de coisas bem mais sérias! A semana passada descobri leite azedo no frigorífico e daqui a sete semanas vou ser mãe! Devem estar a gozar comigo…
Para mim, a prova maior do desconcerto do mundo não é os bons passarem grandes tormentos e os maus nadarem em mares de contentamento, como dizia o outro… Para mim, a prova maior é um qualquer deus ou deuses, ou força cósmica universal achar que eu estou preparada para ser mãe e presentear-me com um bebé perfeito, de coração de ferro e percentil acima da média. Eu, euzinha, esta aqui que vos escreve e que acha que o Big Mac é uma refeição perfeitamente aceitável, que não sabe escolher peixe fresco na praça, que nunca leu os clássicos russos e que tem sérias dúvidas que Deus exista. Estão a ver o que por aí vem? “ Sim filho, podes ir com os teus amigos satânicos almoçar ao macdonalds e de caminho traz aqueles apontamentos Europa América à mãe sobre a Anna Karennina”… 
Mas isto não melhora, perguntarão vocês?! Não é bonito e mágico gerar uma vida?! Não é um momento maravilhoso sentir o bebé a dar pontapés e a mexer na barriga?! Pois…dizem isso porque as costelas não são vossas!!
A mim, o que me consola nestes momentos de dúvida é lembrar-me de uma história que a minha querida avozinha contava e que tinha muita graça… A minha avó, essa santa senhora que teve dois filhos em casa, que jamais espreitou por uma ecografia, que deve ter comido a alface toda deste mundo sem pensar que envenenava as crianças e que nunca se preocupou em escolher o modelo certo de soutien de amamentação! Não foi por isso que as crianças não se tornaram gente, quanto mais não seja estou cá eu para atestar isso…
Claro que não consigo reproduzir a história toda – eu estou grávida e apesar de carregar dois cérebros estão os dois a hibernar, ok?!- mas a punch line tornou-se o melhor discurso motivacional da nossa infância e dizia qualquer coisa como “se os outros as constroem também nós as havemos de construir”. Ora e é isso que eu penso, se toda a gente antes de mim conseguiu eu também hei-de conseguir! Batalhões e batalhões de mulheres passaram por isto antes, a espécie humana anda a subsidiar-se deste modo há milhares de anos e não é agora que alguma areia misteriosa vai emperrar a engrenagem!



(Não é…pois não!!!??)

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